ARTIGOS & RESENHAS - ÍNDICE


. Artigos


O Lamento da Imperatriz: Um Filme de Pina Bausch

Solange Pimentel Caldeira

RESUMO: As obras de Dança-Teatro de Pina Bausch caracterizam-se pela desobediência às fórmulas polidas e previsíveis. Os marcos, os roteiros obrigatórios estão lá, mas o mundo representado compreende o mergulho no tempo-espaço que ficou registrado nos corpos de seus atores-bailarinos. A análise de seu único filme, O Lamento da Imperatriz , aponta para o personagem-cidade, que está lá, com suas pedras, ruas e bosques, e o sujeito incerto que figura nessa geografia pessoal. Porém, entendendo-se a simbologia da cidade como universal, por analogia, temos o sujeito contemporâneo perdido, feito de traços e pedaços, na busca incessante da felicidade.

PALAVRAS-CHAVE: Pina Bausch – Filme – Dança-Teatro

 



Reflexões Sobre “A Pergunta do Morto” de João de Minas
Leandro Antonio de Almeida

RESUMO: Neste artigo analisamos uma crônica do escritor mineiro João de Minas intitulada A Pergunta do Morto, publicada no livro Jantando um Defunto . Analisamos como em seus aspectos estilísticos e temáticos a crônica é um libelo político contra a Coluna Prestes, mas apresenta, a despeito disso, pontos de tensão não resolvidos, como na abordagem de um evento sobrenatural. Procuramos também relacionar esses aspectos ao contexto literário e político que precede a Revolução de 1930.

PALAVRAS-CHAVE: João de Minas – Coluna Prestes – Jantando um Defunto

 

 

Os Embates Doutrinais de Bossuet a Respeito da Liberdade, Autoridade e Submissão
Maria Izabel B. Morais Oliveira

RESUMO: Na concepção de Bossuet, a liberdade de expressão, própria do protestantismo, levaà insubmissão dos súditos em relação à autoridade do príncipe. Sendo assim, ele critica o protestantismo ao mesmo tempo em que defende a religião católica. Em seu entendimento, a religião católica é a base do poder real; o elemento que torna os súditos submissos às leis da Igreja assim como às leis do Estado. A religião católica é o meio mais eficiente que os reis possuem para se fazer obedecer.

PALAVRAS-CHAVE: Liberdade/Autoridade/Submissão – Poder Real – França – Segunda Metade do Século XVII

 

 

Estados-Nacionais e Exércitos na Europa Moderna: Um Olhar Sobre o Caso Português
Francis Albert Cotta

RESUMO: A historiografia política e social que se debruçou sobre a Europa moderna destacou a relação entre o controle da violência e a emergência dos exércitos no processo de construção do Estado, bem como no desenvolvimento do que se chamou de monarquia absoluta. No processo de ascensão da monarquia absoluta, teria ocorrido um enorme aumento da violência pública, do tamanho dos exércitos e da capacidade de destruição das guerras. Todo este movimento estaria intimamente ligado à chamada Revolução Militar Européia. Neste artigo procura-se demonstrar como Portugal esteve inserido neste movimento, destacando as especificidades do seu processo histórico, marcado por resistências, arranjos e negociações.

PALAVRAS-CHAVE: Exércitos – Europa Moderna – Portugal

 



Uma Visão Integrada Sobre a Companhia das Vinhas do Alto Douro

Paulo Reis Mourão

RESUMO: A Companhia Geral da Agricultura e dos Vinhos do Alto Douro, de inspiração pombalina, foi a instituição absolutista fisiocrata mais notável em Portugal no Século XVIII. Os seus antecedentes, a sua acção, as suas consequências e reminiscências são ainda controversos. Com o presente trabalho, vai-se discutir a Companhia Geral à luz das visões críticas de então e observá-las na investigação criada em redor. Conclui-se pela significância eminentemente política e centralista da instituição em detrimento do relevo das intenções fundadoras fisiocratas.

PALAVRAS-CHAVE: Absolutismo Português – Alto Douro – Companhias da Agricultura e do Vinho

 

 

As Irmandades Religiosas em São Luís do Maranhão e Sua Missão Salvacionista
Agostinho Júnior Holanda Coe

RESUMO: Discussão das concepções da morte e dos mortos no Ocidente Cristão no Século XIX, buscando compreender o papel das irmandades religiosas na realização dos ritos fúnebres e a importância do pertencimento a estas associações em São Luís do Maranhão.

PALAVRAS-CHAVE: Morte – Irmandades Religiosas – Sepultamentos

 

 

O Tupi e o Sabiá: Gonçalves Dias e a Etnografia do IHGB em Brasil e Oceania
Kaori Kodama

RESUMO: Este artigo procura abordar o estudo Brasil e Oceania , de Antonio Gonçalves Dias. Escrito entre 1850 e 1853, o estudo era uma resposta a um programa elaborado por Dom Pedro II, em sessão do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Ao traçarmos as relações entre este estudo etnográfico e as reflexões de Gonçalves Dias sobre a nacionalidade, é possível observar que ali estariam presentes questões relativas ao papel da língua falada no Brasil, e ao debate sobre o “lugar” ocupado pelo índio na História do Brasil. O artigo nos permite destacar tanto algumas das características da etnografia indígena realizada no IHGB na década de 1850, como refletir sobre as implicações da percepção do “índio” como elemento da formação da nacionalidade pelo poeta.

PALAVRAS-CHAVE: Indianismo – Etnografia (história da) – Nação

 

 

Os Ecos Autoritários da Marselhesa: Guido Thomaz Marlière e a Colonização
dos Sertões do Rio Doce (Minas Gerais)
José Otávio Aguiar

RESUMO: Estuda-se a organização e o cotidiano das Divisões Militares do Rio Doce, uma cidade de Minas Gerais, em busca de exemplos que informem sobre as relações de hierarquia, etnia e estratégia nos meandros de uma sociedade marcada pela violência. Neste ambiente, desta-se a especificidade da atuação e dos discursos do emigrado militar francês Guido Thomaz Marlière, Diretor Geral dos Índios de Minas Gerais entre 1813 e 1829.

PALAVRAS-CHAVE: Política Indigenista – Imaginário Social – Estratégia


 

. Dossiê "História da Ciência"


Apresentação do Dossiê "História da Ciência"
Antonio Augusto Passos Videira

 

 

Problemas de História da Ciência na Época Colonial: A Casa Grande de Gilberto Freyre
Carlos Ziller Camenietzki

RESUMO: Um dos maiores problemas com o qual se depara o estudioso da atividade científica no Brasil de épocas passadas é a identificação de sua cultura urbana. Ao valorizar o mundo rural de outros tempos, a obra de Gilberto Freyre sobre a formação brasileira colaborou para fixar a idéia de que o tempo colonial foi aquele em que a Casa Grande definiu os traços mais marcantes de nossa cultura. Com isso, desvalorizamos os trabalhos intelectuais do Brasil dos seus três primeiros séculos de existência, e com eles, a ciência que se produziu por aqui.

PALAVRAS-CHAVE: Gilberto Freyre – Brasil Colônia – Intelectuais Brasileiros – Ciência Colonial – Historiografia Colonial

 

 

O Ethos Positivista e a Institucionalização da Ciência no Brasil no Início do Século XIX
Luiz Otávio Ferreira

RESUMO: Para nos contrapor ao estigma imposto ao positivismo por parte da historiografia brasileira, propomos seguir o caminho sugerido por alguns autores preocupados em entender a funcionalidade do ideário positivista para os diferentes grupos sociais envolvidos, especialmente para aquele formado por professores, pesquisadores, técnicos e estudantes todos profissionalmente comprometidos com atividades de caráter técnico-científico desempenhadas em instituições imperiais ou republicanas. Assim queremos evitar julgar as idéias e ações dos positivistas brasileiros segundo critérios oblíquos como, por exemplo, o de neles apontar os “erros” ou “anacronismos” científicos cometidos pelos adeptos das doutrinas comteanas.

PALAVRAS-CHAVE: Positivismo – Ciência – Brasil

 

 

Sobre a Relação Entre Regimes Políticos e Desenvolvimento Científico: Apontamentos para um Estudo Sobre a História da C&T Durante o Regime Militar Brasileiro
Olival Freire Junior

RESUMO: Esse trabalho é um estudo preliminar – através de uma revisão da literatura, em especial daquela relativa a estudos sobre a ciência – acerca das relações entre regimes políticos, em particular regimes autoritários, e desenvolvimento científico e tecnológico. Como veremos, idéias correntes, enraizadas no senso comum, que consideram a democracia política requisito necessário àquele desenvolvimento, não encontram apoio adequado na historiografia sobre a ciência.

PALAVRAS-CHAVE: História da Física Brasileira – Ciência e Estado – Ciência e Democracia

 

 

A Propósito dos Estudos Biográficos na História das Ciências e das Tecnologias
Silvia F. de M. Figueirôa

RESUMO: Este artigo parte de reflexões anteriores da autora e busca avançar na revisão e na reflexão sobre a ampla bibliografia internacional mais recente relacionada ao tema biográfico. Sem pretender esgotar o tema, de si mesmo bastante rico, visa mapear tendências e questões pertinentes, identificadas a partir destes trabalhos, salientando aspectos relevantes para a produção de um estudo biográfico, inclusive suas dificuldades e limites.

PALAVRAS-CHAVE: Biografias – História da Ciência – História da Tecnologia

 

 

História e Historiografia da Física no Brasil
Cássio Leite Vieira e Antonio Augusto Passos Videira

RESUMO: O objetivo deste trabalho consiste em comentar a historiografia sobre o desenvolvimento da física no Brasil. Para o cumprimento desse objetivo, recorre-se, por vezes, à exposição de eventos históricos com o intuito de explicitar e melhor embasar algumas das conclusões a que chegamos.

PALAVRAS-CHAVE: História da ciência no Brasil – História da Física no Brasil – Historiografia da Física no Brasil

 

 

Oceanos e Continentes em Debate
Maria Margaret Lopes e Irina Podgorny

RESUMO: Este artigo é parte de pesquisas mais abrangentes envolvendo a cooperação científica de Florentino Ameghino (La Plata / Buenos Aires, Argentina) e Hermann von Ihering (São Paulo, Brasil). Na transição para o século XX, essa geração de naturalistas, na América e na Europa, já incorporara idéias evolucionistas. Eles discutiram entre outros aspectos, as concepções biogeográficas de Wallace, nos quadros mais amplos das teorias globais das seqüências estratigráficas geológicas e paleontológicas do sul da América. Tais quadros levaram à formulação de Hermann von Ihering de sua teoria sobre as pontes continentais.

PALAVRAS-CHAVE: História das Ciências – História das Geociências – História da Paleontologia

 

 

O Jardim Botânico de João Barbosa Rodrigues na Exposição Nacional de 1908
Alda Heizer

RESUMO: O presente artigo tem como objetivo apresentar algumas considerações sobre a participação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro na Exposição Nacional de 1908, na Urca. Ao definir o que entra e o que fica de fora na exposição, o naturalista João Barbosa Rodrigues escolhe o Jardim que ele quer apresentar na festa do centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas.

PALAVRAS-CHAVE: Exposição – Instrumento Científico – Jardim Botânico






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