ARTIGOS & RESENHAS - ÍNDICE

. Entrevista
. Artigos


Um Encontro Marcado – e Imaginário – Entre Gilberto Freyre e Albert Eckhout

Sandra Jatahy Pesavento

RESUMO: Este artigo analisa uma espécie de feliz coincidência ou um encontro marcado, porém imaginário, entre as idéias de Gilberto Freyre e a obra pictórica de Albert Eckhout, com alguns séculos de distância. Este cruzamento só poderia ocorrer através do olhar e das questões formuladas por um historiador que se debruça sobre eles num outro momento histórico, retraçando a descoberta de um outro Brasil, realizada por Freyre.

PALAVRAS-CHAVE: História Cultural – História e Pintura – Gilberto Freyre – Albert Eckhout

 

 

O Silencioso Despertar do Mundo Surdo Brasileiro
Fernanda Bouth Pinto

RESUMO: O presente trabalho constitui um estudo a respeito da temática da Educação desenvolvida no Brasil, especificamente na Corte Imperial, em meados do século XIX, décadas de 1850 e 1860. Entendendo o panorama educacional e político deste período, tem como questões principais: o processo de construção do Estado Imperial e da Instrução Pública; o estudo dos preceitos médico-higienistas relacionados aos debates sobre poder e disciplina na educação de surdos e as questões sociopolíticas que envolveram a criação da primeira escola para surdos no Rio de Janeiro oitocentista, o Imperial Instituto dos Surdos Mudos.

PALAVRAS-CHAVE: História da Educação – Surdos – História Institucional

 

 

Livre no Pensamento e Presa na Inação: Um Estudo da Protagonista
de “A Fuga”, Conto de Clarice Lispector

Ana Carolina Abiahy

RESUMO: Por meio da análise do conto “A fuga”, escrito por Clarice Lispector, na década de 1940, discutimos a representação literária que a autora faz do papel de uma esposa e dona-de-casa na sociedade brasileira da época. Pela ótica da crítica feminista, percebemos o viés do social nessa narrativa da escritora, que pode ser entendida como possibilidade de debater os impasses de uma parcela de mulheres que ansiavam por mudanças na cultura patriarcal vigente. Nossa análise é balizada por pesquisas da área de gênero sobre o conflito entre a esfera pública e a privada. Para compreender a inação da protagonista, foram elucidativos os conceitos de epopéia negativa, esboçado por Theodor Adorno, e o de herói problemático, de Georg Lukács..

PALAVRAS-CHAVE: Representação – Mulher – Sociedade

 

 

Estética e Política em Machado de Assis
Patrick Pessoa


RESUMO: Os recentes escândalos envolvendo o Partido dos Trabalhadores (PT), eleito em 2002 como o partido da esperança, abalaram a crença de muitos de seus antigos militantes na possibilidade de uma ação política efetivamente transformadora das desigualdades sociais brasileiras. A obra de Machado de Assis, erroneamente considerado um escritor conservador, aponta alguns caminhos para a superação dessa melancolia que atualmente ameaça a esquerda do país. A partir de uma análise de suas Memórias póstumas de Bras Cubas, o objetivo deste artigo é problematizar as possíveis origens e corolários da melancolia política brasileira.

PALAVRAS-CHAVE: Machado de Assis – Fenomenologia – Roberto Schwarz

 



Terra em Transe (1967, Glauber Rocha): Estética da Recepção
e Novas Perspectivas de Interpretação

Alcides Freire Ramos

RESUMO: Com base na teoria do efeito estético/estética da recepção (Wolfgang Iser), este artigo discute Terra em transe (1967, Glauber Rocha) e propõe alguns avanços nas discussões acerca da relação história e cinema.

PALAVRAS-CHAVE: História e Cinema Brasileiro – Glauber Rocha – Terra em transe

 

 

. Dossiê Teoria da História


Apresentação do Dossiê Teoria da História: A Necessidade da História
Pedro Spinola Pereira Caldas


A Emergência do Discurso Histórico na Crônica de Fernão Lopes
Valdei Lopes de Araujo e Bruno Gianez

RESUMO: O objeto deste artigo é o estudo do campo discursivo que delimita e insere o conceito de história na crônica de Fernão Lopes (1380/90–1459?). A Crônica de D. João I revela um momento de crise dos valores tradicionais. A escrita da história deve explicar uma realidade distinta da ordem senhorial vigente. Lopes redimensiona o gênero cronístico, instituindo uma voz autoral ancorada em procedimentos de subjetivação. A partir do isolamento de estruturas discursivas tradicionais, Lopes abre um espaço de autonomia para a narrativa histórica, cerceando as formas encomiásticas, o cronista busca recontar as “estorias” ordenando-as numa perspectiva temporal bipartida que possibilite a produção da “nua verdade”.

PALAVRAS-CHAVE: História da historiografia – Fernão Lopes – Crônica

 

 

Os Irmãos Grimm entre Romantismo, Historicismo e Folclorística
Sérgio da Mata e Giulli Vieira da Mata

RESUMO: O objetivo deste artigo é avaliar a importância de Jacob e Wilhelm Grimm para as ciências humanas e a sua progressiva transformação em “heróis culturais”. Primeiramente os autores situam a obra dos irmãos Grimm no contexto histórico, literário e científico do século XIX. Num segundo momento, discutem a marginalização da folclorística no Brasil e a sua redescoberta pelos historiadores nos últimos anos. Finalmente, é utilizado o instrumental teórico da folclorística a fim de analisar o filme The Brothers Grimm, de Terry Gilliam.

PALAVRAS-CHAVE: Irmãos Grimm – Historicismo alemão – Folclorística

 

 

David Hume e Jane Austen: O Sentimento e a Construção da Moderna Historiografia Inglesa
Flávia Florentino Varella

RESUMO: Neste artigo, discutimos a relação entre historiografia e romance a partir das obras do historiador David Hume e da romancista Jane Austen. Hume produziu um programa historiográfico que avalizava o sentimento como categoria de explicação do movimento histórico e via na identificação do leitor com a narrativa um aspecto fundamental de sua obra. Em sua “History of England”, Hume utilizouse do recurso à sentimentalidade na composição de suas principais personagens femininas. Em diversos momentos de sua obra, Jane Austen parece defender uma concepção moderna de historiografia capaz de incorporar o sentimento, em oposição aos modelos clássicos contra os quais já se erguia o projeto de Hume.

PALAVRAS-CHAVE: Romance – Historiografia – Representação

 

 

Montaigne: A História sem Ornatos
Luiz Costa Lima

RESUMO: Este ensaio visa precisar a concepção de história privilegiada nos Ensaios de Montaigne e os problemas provocados pelo caráter retórico de uma de suas fontes, a Historia general de las Índias, de López de Gomarra.

PALAVRAS-CHAVE: Retórica – Verdade – Michel de Montaigne – López de Gómarra

 

 

História e Teoria na Era dos Extremos
Estevão de Rezende Martins

RESUMO: São apresentados os extremos a que a teoria da História se viu exposta ao longo do século 20: os extremos excludentes de uma confiança irrestrita, quando não ingênua, nas fontes e do relativismo cético, os extremos da necessidade de modelização e da tentação totalitária da dogmatização, e o extremo do risco de inespecificidade do conhecimento histórico combinado com a ameaça de sua dissolução em outras especialidades. Analisa-se a politização do conhecimento e sua redução funcional aos engajamentos militantes, que constituem um extremo comum no século 20. Propõe-se o denominador comum da metodização como forma de interação das opções teóricas para a produção do conhecimento historiográfico e a abertura comparativa, que vença o extremo da dependência nacional, para a internacionalização do debate historiográfico no século 21.

PALAVRAS-CHAVE: Teoria da História – Historiografia contemporânea – História no século 20 – História nacional – Método comparativo – Conhecimento histórico

 



História, Ação e Cultura: Um Esboço de Comparação entre Hegel e Nietzsche
Pedro Spinola Pereira Caldas

RESUMO: SãEste artigo pretende estabelecer uma comparação entre dois textos clássicos da filosofia da história, a saber, A Razão na História, de Hegel, e Segunda consideração intempestiva, de Nietzsche. Nesta comparação, pretender-se-á mostrar que algumas críticas de Nietzsche a uma visão hegeliana da história dependiam de elementos já presentes no próprio pensamento hegeliano. Não se trata de estabelecer uma identidade absoluta entre os dois autores, mas sim de, pelo método comparativo, mostrar que a visão teleológica da história pode educar o homem para a vida e para a ação.

PALAVRAS-CHAVE: Filosofia da História – Filosofia alemã – Teleologia – Bildung