DOSSIÊ "SENSIBILIDADES À MARGEM"


- Apresentação do Dossiê “Sensibilidades à Margem”

Nádia Maria Weber Santos



- Cidades Imaginárias: Literatura, História e Sensibilidades
Sandra Jatahy Pesavento




- Flávio Koutzii: Um Olhar Sobre as Sensibilidades da Geração 68 em Porto Alegre
Benito Bisso Schmidt e Juliano Antoniolli


- Celestina in Província
Maria Luiza Martini



- A Sensibilidade Fílmica: Uma Cartografia da Memória do Clube de Cinema de Porto Alegre (1960-1970)
Rosemary Fritsch Brum e Francisco Carvalho Júnior




- Entrelaçando Passado, Presente e Futuro: Uma Busca Sensível da Memória Familiar
Nádia Maria Weber Santos e Paula Tatiane de Azevedo



ARTIGOS


- Idéias para o Inferno Segundo León Ferrari
Emerson Dionisio Gomes de Oliveira



- Mulheres para Muito Além do Figurino: As Divorciadas Gaúchas dos Séculos XVIII e XIX
Ubirathan Rogério Soares



- Rumores da Miséria, Ecos da História: A Emergência do Estereótipo da Pobreza Piauiense Nos Anos 1950 e 1960
Elson de Assis Rabelo



- As Diabruras, Gostosuras e Travessuras de Nosso Fausto Brasileiro
Francisco de Assis Ferreira Melo



- Guerra de Palavras: A Construção do Inimigo “Quinta Coluna” Pela Imprensa Pernambucana Durante a Segunda Guerra Mundial
Philonila Maria Nogueira Cordeiro



- Mas Afinal, o que Era Mesmo o Comunismo? A Significação da Palavra “Comunismo”
Através dos Textos Anticomunistas que Circularam no Piauí da Década de 1960
Marylu Alves De Oliveira





- Literatura, História e Sociedade em Estilo de Casa: Um Casamento no Arrabalde, de
Franklin Távora
Samarkandra Pereira dos Santos Pimentel




- A Índia Muito Além do Incenso: Um Olhar Sobre as Origens, Preceitos e Práticas do Vaishnavismo
Arilson Silva de Oliveira




- Narrativas de Paulicéia: Caipiras Numa Cidade em Transformação
Cássio Santos Melo




- “Sob” Sentidos do Político: História, Gênero e Poder no Cinema de Ana Carolina
Flávia Cópio Esteves




RESENHA


- A Sinistra Porto Alegre, Capital de Pecados
Raquel Czarneski Borges














EDITORIAL

Esta edição da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 6, Ano VI, Número 1 – Janeiro / Fevereiro / Março – 2009) foi elaborada com forte emoção, ainda sob o impacto do falecimento da historiadora Sandra Jatahy Pesavento. Com este número, queremos fazer uma homenagem à nossa querida amiga, que nos apoiou desde o início, de maneira entusiasmada e com bom humor.

Neste momento, vale à pena lembrar: quando o site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004, de imediato, recebemos o estímulo de muitos profissionais da área de História. Dentre eles, Sandra Pesavento era a mais animada com o projeto e, de pronto, nos enviou um belo artigo intitulado A INVENÇÃO DO BRASIL - O NASCIMENTO DA PAISAGEM BRASILEIRA SOB O OLHAR DO OUTRO. Este artigo é bem representativo do universo de preocupações de Pesavento, já que analisa a pintura paisagística holandesa sobre o Brasil, de artistas como Frans Post, Gillis Peters, Zacharias Wagener, Georg Macgraf, Albert Eckhout, entre outros. A autora demonstra que, no momento da invasão, conquista e estabelecimento da dominação do nordeste brasileiro no século XVII, essas imagens foram produzidas com o intuito de apreender construções imaginárias de sentido e, por intermédio dessas, observou como, pela paisagem, se fez a “invenção do Brasil” pelo olhar do outro. Este foi o primeiro artigo que ela nos enviou. Em seguida, vieram outros.

Com efeito, sua colaboração manteve-se firme ao longo desses anos. Se, nesse longo período, fomos capazes de publicar mais de trinta e cinco resenhas e se já passamos de duzentos e quarenta artigos, cujos autores trabalham em diferentes regiões do país ou do exterior, devemos muito ao seu incentivo e entusiasmo. Quem a conheceu sabe que ela foi uma pesquisadora de grande capacidade de trabalho e a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais teve o privilégio de publicar outros estudos de sua autoria. Dando continuidade às suas pesquisas a respeito da sensibilidade e da alteridade, bem como em torno da relação História-Pintura, publicou UMA CIDADE SENSÍVEL SOB O OLHAR DO “OUTRO”: JEAN-BAPTISTE DEBRET E O RIO DE JANEIRO (1816-1831). Ainda explorando o binômio História-Imagem, Sandra Jatahy Pesavento publicou MEMÓRIA E HISTÓRIA: AS MARCAS DA VIOLÊNCIA, no qual, a partir de algumas representações visuais de guerra (pinturas e fotografias), analisa os processos de destruição/reconstrução da memória coletiva. Por fim, vale lembrar: sua parceria com a Fênix não ficou restrita ao envio de artigos, visto que, ao lado dos historiadores Mônica Pimenta Veloso e Antonio Herculano Lopes (pesquisadores da Fundação Casa de Rui Barbosa – Rio de Janeiro), organizou o DOSSIÊ “HISTÓRIA CULTURAL & MULTIDISCIPLINARIDADE”.

Entretanto, isso é apenas uma pequena parte da parceria que tivemos com Sandra Jatahy Pesavento. Na realidade, desde 1999, nossos contatos foram quase semanais, tendo em vista a criação do GT Nacional de História Cultural da Associação Nacional de História (ANPUH). Ao lado de historiadores como Maria Izilda Santos de Matos, Antonio Herculano Lopes, Mônica Pimenta Veloso, entre outros, tivemos o privilégio de participar dessa estimulante empreitada. Ao longo desses anos, Sandra Pesavento, sempre de bom humor, exerceu uma liderança incontestável não só em virtude de sua forte personalidade, de sua incomum capacidade de trabalho, ou de seus contatos com pesquisadores estrangeiros, mas, principalmente, graças à sua inteligência e à sua vontade de manter a coesão interna do GT Nacional de História Cultural.

Acima de tudo, ela foi uma LIDERANÇA INTELECTUAL. Sem meias palavras: é preciso dar destaque ao papel que ela desempenhou! Como todos sabemos, LIDERANÇAS INTELECTUAIS estão se tornando cada vez mais raras. Neste contexto, quando pensamos na trajetória de Sandra Pesavento e, sobretudo, no papel de LIDERANÇA INTELECTUAL que ela desempenhou à frente do GT Nacional de História Cultural, nos damos conta da falta que ela faz. Por esse motivo, as homenagens são necessárias e merecidas.

Sandra Pesavento dedicou-se à docência e à pesquisa durante quase quarenta anos. Trabalhou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de 1970 a 2009, contribuindo com a formação de várias gerações de historiadores. Com efeito, entre os anos de 1992 e 2008, logo após o seu credenciamento no Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS, ela foi incansável, dedicando-se à orientação de dezenas de Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado. Ainda no que se refere à sua contribuição para a formação intelectual das novas gerações, merece destaque a sua participação em centenas de Bancas Examinadoras de Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado de discentes sob a orientação de outros pesquisadores, do Rio Grande do Sul, demais Estados brasileiros e do Exterior.

Da mesma forma, foi uma pesquisadora muito dedicada. Escreveu para jornais, ministrou mini-cursos, e participou de centenas de congressos científicos. Manteve parcerias internacionais duradouras, particularmente com Jacques Leenhardt [École des Hautes Études en Sciences Sociales (França)] e Chiara Vangelista [Università degli Studi di Torino (Itália)], dentre muitos outros.

Graças à sua incomum capacidade de trabalho, foi capaz de produzir mais de oitenta capítulos de livros. Publicou, de 1980 a 2009, cinqüenta e um livros. Dentre eles, destacam-se: Visões do Cárcere (Porto Alegre: Editora Zouk, 2009), Os Sete Pecados da Capital (São Paulo: Hucitec, 2008), História e História Cultural (Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2003), Uma outra cidade: o mundo dos excluídos no final do século XIX (São Paulo: Editora Nacional, 2001), Imaginário da cidade: representações do urbano (Paris, Rio de Janeiro e Porto Alegre) (Porto Alegre: Editora da UFGRS, 1999), Exposições Universais: Espetáculos da Modernidade do Século XIX. (São Paulo: HUCITEC, 1997), A burguesia gaúcha: dominação do capital e disciplina do trabalho (RS 1889-1930) (Porto Alegre: Editora Mercado Aberto, 1988).

Como se tudo isso não bastasse, de 1974 a 2008, publicou mais de cento e vinte artigos em periódicos científicos nacionais e estrangeiros. Sem dúvida alguma, Sandra Pesavento dedicou-se de maneira infatigável à pesquisa e à reflexão. Ela é um exemplo para todos nós!

Estamos muito honrados, pois, neste número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, trazemos ao público leitor mais um artigo de Sandra Pesavento, intitulado Cidades Imaginárias: Literatura, História e Sensibilidades. Este ensaio faz parte do Dossiê SENSIBILIDADES À MARGEM, organizado por Nádia Maria Weber Santos. Este conjunto de textos é o resultado de um projeto de pesquisa, financiado pelo CNPq, desenvolvido de julho de 2006 a julho de 2008, no Núcleo de Pesquisa em História (NPH) do IFCH da UFRGS, sob a coordenação de Sandra Pesavento. Publicam também neste DOSSIÊ os seguintes pesquisadores: Rosemary Fritsch Brum, Francisco Carvalho Jr., Maria Luiza Martini, Benito Bisso Schmidt, Juliano Antoniolli, Nádia Maria Weber Santos e Paula Tatiane de Azevedo. Na seção dedicada às resenhas, o leitor poderá conferir, nesta edição da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, o texto em que Raquel Czarneski Borges avalia o livro Os Sete Pecados da Capital de Sandra Pesavento. Na seção livre, estamos publicando artigos de Arilson Silva de Oliveira, Cássio Santos Melo, Elson de Assis Rabelo, Emerson Dionisio Gomes de Oliveira, Flávia Cópio Esteves, Francisco de Assis Ferreira Melo, Marylu Alves de Oliveira, Philonila Maria Nogueira Cordeiro, Samarkandra Pereira dos Santos Pimentel e Ubirathan Rogério Soares, os quais, sem dúvida, também merecem uma atenção especial do leitor, pois constituem frutíferas contribuições à construção do conhecimento.               

Por fim, queremos agradecer, in memoriam, à nossa amiga Sandra Pesavento pelas inúmeras alegrias compartilhadas, pelas instigantes parcerias profissionais e, sobretudo, pelos estímulos que recebemos em momentos difíceis, que nos ajudaram a afastar as tristezas e a enfrentar muitas adversidades. Dar continuidade ao seu trabalho não será tarefa fácil. De nossa parte, continuaremos a trabalhar, seguindo o seu exemplo. Agora, Sandra é uma estrela brilhante no firmamento. Sua luz iluminará nossos caminhos e, com certeza, nos ajudará a não esquecer os deveres de nosso ofício.

Aos leitores de mais esse número, agradecemos pela atenção e, sinceramente, esperamos que ele proporcione uma leitura agradável e proveitosa.

Alcides Freire Ramos e Rosangela Patriota
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais