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ARTIGOS


- História – performance – poesia: Jim Morrison, o xamã da década de 1960 -
Rosangela Patriota


- Memória histórica na dramaturgia de Tennessee Williams - Lajosy Silva


- Tradições e apropriações da tragédia: Gota D'água nos caminhos da Medéia Clássica e da Medéia Popular - Dolores Puga Alves de Sousa


- O balé do Rio de Janeiro e de São Paulo entre as décadas de 1930 e 1940: concepções de identidade nacional no corpo que dança - Daniela Reis


- “Sua alta opinião compõe minha valia” leitor, leitura e cultura letrada em alguns contos de João Guimarães Rosa - Bruno Flávio Lontra Fagundes

- Sob o sígno da estética do lixo: as parceiras de Fernando Peixoto com Maurice Capovilla e João Batista de Andrade - Alcides Freire Ramos


- Entre mamutes e acácias: viagem e natureza em Hipólito José da Costa Pereira (séc. XVIII/XIX) - Janaina Zito Losada


- A pedof(am)ilia moderna: notas foucauldianas sobre um caso de pedofilia - Fábio Luiz Lopes da Silva



RESENHAS


- O campo da história: especialidades e abordagens
- Maria Abadia Cardoso

“Anos 70: ainda sob a tempestade”, organização de Adauto Novaes - Kátia Eliane Barbosa

 

 

 

 

 

 

EDITORIAL


Correspondendo às perspectivas dos órgãos de fomento à pesquisa e favorecendo a prática de divulgação de trabalhos em veículos de acesso livre, a presente edição da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, trimestre julho/agosto/setembro de 2005, vem a público apresentando significativos resultados de pesquisas que beneficiam o debate intelectual, a troca de experiências e enriquecem a produção do conhecimento. Neste contexto, os diálogos entre História e Linguagens são realçados por análises que envolvem a música, o teatro, a dança, a literatura e o cinema. Por fim, além de duas excelentes resenhas, este número traz duas expressivas reflexões voltadas para questões sócio-culturais (relatos de viajantes e família).

Com efeito, abrindo esta edição, Rosangela Patriota recupera as perspectivas históricas e culturais dos idos de 1960, discutindo a importância e a singularidade da presença do poeta e vocalista do The Doors naquela sociedade. Afinal, “Morrison é sempre uma das lembranças recorrentes, seja por suas canções e poesias, seja por sua postura inconformista diante da realidade” e, por isso, lembrá-lo é uma forma de reavaliar nossa postura política, social e intelectual.

Por sua vez, o diálogo História e Teatro, nesta edição da Fênix, é enriquecido por duas importantes reflexões no campo da dramaturgia internacional e nacional. Lajosy Silva, valorizando a memória histórica na dramaturgia de Tennessee Williams, lança um olhar original para os escritos deste dramaturgo e ultrapassa as análises puramente psicológicas que muitas vezes são feitas com relação a esta obra. Por sua vez, Dolores Puga Alves de Sousa analisa o curso da tragédia, da antiguidade clássica até os anos de 1970, lançando mão da noção de tradição explicitada por Raymond Williams e, sem perder vista a historicidade, trata das apropriações brasileiras de Medéia de Eurípedes ( 431 a. C.) realizadas por Oduvaldo Vianna Filho (1972) e Paulo Pontes (1975).

No que diz respeito à relação entre expressão corporal e construções simbólicas, Daniela Reis, com competência acadêmica, discute, no artigo O balé do Rio de Janeiro e de São Paulo entre as décadas de 1930 e 1940: concepções de identidade nacional no corpo que dança, as distintas representações de identidade nacional por meio da dança durante a primeira metade do século XX e demonstra as sutis afinidades entre arte e sociedade.

Partindo do trabalho de importantes artistas e intelectuais, os artigos de Bruno Flávio Lontra Fagundes e Alcides Freire Ramos oferecem válidas contribuições no que se refere ao diálogo entre produção artística e momento histórico. O primeiro, analisa a representação de leitores e da leitura em textos de João Guimarães Rosa considerando que a “literatura é concebida como textos da cultura que são transferidos em livros como suporte material”. Já o segundo, valoriza a parceria entre Fernando Peixoto, Maurício Capovila e João Batista de Andrade com vistas a avaliar o impacto das propostas da estética do lixo nos filmes Gamal – o delírio do sexo (1969) e O profeta da fome (1970).

Por outro lado, tomando experiências de viajantes como mote de pesquisa, Janaina Zito Losada chama a atenção do leitor para o significado da relação entre homem e natureza nos séculos XVIII/XIX e possibilita compreender os meandros que envolvem a composição de duas narrativas distintas que tratam do mesmo assunto: as memórias e os diários do viajante Hipólito José da Costa Pereira. Fechando a sessão a de artigos, Fábio Luiz Lopes da Silva trata das imbricações entre família e pedofilia por meio das observações de Michel de Foucault acerca da genealogia da família moderna, com o objetivo de mostrar que a constituição desta, “em sua vertente burguesa, é parte de um jogo de diferenciações em face da subjetividade e da sexualidade proletárias”.

O leitor ainda conta com as resenhas de dois importantes livros. Maria Abadia Cardoso apresenta as reflexões de José D'Assunção Barros em O Campo da História: Especialidades e Abordagens, onde os interessados poderão entrar em contato com um balanço sobre a historiografia realizado com amplas problematizações que deixam evidentes as “possibilidades do conhecimento histórico no que tange à sua Teoria e Metodologia”. Já Kátia Eliane Barbosa sugere a leitura de Anos 70: ainda sob a tempestade, organizado por Adauto Novaes em fins da década de 1970, e agora relançado pelas editoras Aeroplano e Senac Rio. Nesta obra, os pesquisadores da arte encontrarão importantes avaliações sobre a variedade de assuntos que envolvem as produções artísticas do período de maior repressão militar no Brasil.

Por fim, desejamos que os estudos aqui apresentados sejam estímulos para o amplo debate acadêmico e, certamente, para a disseminação do conhecimento. Neste espaço, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, utilizando-se das prerrogativas da internet, agradece a seus colaboradores e espera que o acesso livre da produção científica possa contribuir para futuras análises.  
 

Rodrigo de Freitas Costa

Secretaria Executiva