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ENTREVISTAS


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Mitologia e Literatura Medieval: Entrevistas com Hilário Franco Júnior, José Rivair Macedo e João Lupi - Johnni Langer

ARTIGOS


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Usos, Autoria e Processo de Confecção do Mapa-Múndi de Hereford, Século XIII - Paulo Roberto Soares de Deus

- O Milagre Régio e o Ciclo Legendário em Prol ao Fortalecimento do Poder, no Círculo de Carlos V (França, 1364-1380) - Maria Izabel B. Morais Oliveira

- Pelos Cantos da Cidade: Música Popular em São Paulo na Passagem do Século XIX ao XX - Ailton Pereira Morila

- A Cidade que me Guarda: Um Estudo Histórico Sobre “Tristeresina”, A Cidade Subjetiva de Torquato Neto - Edwar de Alencar Castelo Branco

- A Espiar o Mundo... Experiência Histórica na Leitura Poética da “Geração 1970” - Beatriz de Moraes Vieira

- A Luta Contra a Ditadura Militar e o Papel dos Intelectuais de Esquerda - Alcides Freire Ramos

 

RESENHA

- Múltiplos Olhares Sobre o Cinema: Reflexões Sobre “Cinema Brasileiro 1995-2005: Ensaio Sobre uma Década” por Daniel Caetano -
Rodrigo de Freitas Costa e Eliane Alves Leal
DOSSIÊ CINEMA - HISTÓRIA


- Apresentação do Dossiê Cinema-História - Um Saldo Significativo -
Sheila Schvarzman

- A Propaganda Política do Golpe de 1964 Através dos Documentários do Ipês - Marcos Corrêa

- A Reinvenção da Palavra Necessária, uma Apresentação do Filme Shoah de Claude Lanzmann - Luana Chnaiderman de Almeida

- Documentário Brasileiro Contemporâneo e a Micro-História - Karla Holanda

- Rebeldes nas Telas: Um Olhar Sobre Filmes de Reconstituição Histórica dos Anos 90 - Miriam de Souza Rossini

- Argila, ou Falta uma Estrela... És Tu! - Ana Pessoa


EDITORIAL


O leitor que gentilmente entra nas páginas virtuais da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais já deverá ter percebido como a nossa publicação é um espaço que abriga a explosão dos trabalhos sobre o mundo da cultura. E o fato de não ser impressa a revista é uma vantagem: afinal, do contrário, seria desgastante lidar com uma multiplicidade que, admitamos, tanto nos excita quanto nos desconcerta.

Com efeito, esse sentimento de excitação-desconforto, alimentado, por vezes, pela crescente e sempre positiva proliferação de revistas eletrônicas com formato acadêmico, tem encontrado caminhos diversos para se exteriorizar e, felizmente, alguns deles com resultados positivos. Deste ponto de vista, vale destacar a recente iniciativa da CAPES em criar um competente indexador de periódicos eletrônicos de livre acesso, a partir de rigorosos critérios de qualidade [http://acessolivre.capes.gov.br]. Seu objetivo é, em suma, reunir e tornar público o melhor da produção acadêmica brasileira e internacional em todas as áreas do conhecimento.

Para nossa felicidade, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais foi incluída pela CAPES nesse rol de publicações, o que se configura como um passo importante no caminho para a sua consolidação como um veículo de divulgação acadêmica ágil e de qualidade, cujo acesso é livre, universal e gratuito.

Entretanto, devemos lembrar que nada disso teria sido possível não fosse o trabalho incansável dos Conselhos Editorial e Consultivo, do empenho da equipe técnica e, sobretudo, dos excelentes artigos que temos recebido.

Um bom indicador dessa excelência é o número que ora estamos lançando (Vol. 3, Ano III, nº 1 – JAN/FEV/MAR-2006). Acolhendo contribuições de diferentes lugares do país, nele identificamos alguns eixos da produção historiográfica brasileira atual. Primeiramente, estão reunidos instigantes estudos sobre o período medieval. Às eruditas contribuições de Paulo Roberto Soares de Deus e Maria Izabel B. Morais Oliveira sobre o Mapa-Múndi de Hereford e o poder real na França de Carlos V somam-se as entrevistas feitas por Johnni Langer e Luciana de Campos com os medievalistas Hilário Franco Jr., José Rivair Macedo e João Lupi. Em seguida, temos os trabalhos de Edwar de Alencar Castelo Branco e Beatriz de Moraes Vieira que abrem vereda diversa, dando ao leitor a oportunidade de apreciar dois estudos sobre a experiência da poesia brasileira, ora iluminando a obra de Torquato Neto, ora os poemas de Chico Alvim, Cacaso e Chacal. E a leitura do artigo de Ailton Pereira Morila, sobre a música popular em São Paulo na passagem do século XIX ao XX, mostrará como foram cantadas as condições de vida e o cotidiano da cidade, sob o prisma dos segmentos populares. Já o artigo de Alcides Freire Ramos, que se volta para o confronto dos intelectuais de esquerda com a ditadura militar, certamente ajudará o leitor a compor um quadro sobre o período e o tema que, se não se torna um mosaico desprovido de cor própria, jamais se enquadra também em uma grade conceitual previamente estabelecida. Fechando esse bloco, vale conferir a Resenha de Rodrigo de Freitas Costa e Eliane Alves Leal do provocativo livro organizado por Daniel Caetano (Cinema Brasileiro 1995-2005: ensaios sobre uma década. Rio de Janeiro: Contracampo-Azougue Ed., 2005).

E como alguém já disse, o hábito é mais forte do que a natureza. Este velho adágio torna-se positivo quando é saudável o hábito. Afinal, novamente temos o prazer de apresentar ao público mais um dossiê. Desta feita, a professora Sheila Schvartzman organizou um belo e coeso conjunto de ensaios sobre cinema e história, escritos por Marcos Corrêa, Luana Chnaiderman de Almeida, Karla Holanda, Miriam de Souza Rossini e Ana Pessoa. A apresentação do próprio dossiê será mais elucidativa, mas antecipo que é estimulante verificar como, no que diz respeito ao cinema, o debate historiográfico especializado combina rigor e abertura: da “retomada” do cinema nacional a um filme fundamental sobre o Holocausto (Shoah, de Claude Lanzmann), passando pelas discussões em torno do cinema de propaganda, do documentário e da obra de Carmen Santos, percebe-se a manutenção de uma característica fundamental dos objetos históricos e dos temas culturais: a sua plasticidade. Se o rigor lhes garante a solidez e a base objetiva da discussão, a inventividade lhes confere comunicabilidade, tornando-os complexos, e, assim, um autêntico e sincero convite para que todos tomem parte da discussão.

Convite que nossa revista faz ao seu leitor e refaz, com muito gosto, pontualmente, a cada trimestre  
 

Pedro Spinola Pereira Caldas

Membro do Conselho Editorial