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EDITORIAL

É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 8, Ano VIII, Número 1 – Janeiro / Fevereiro / Março / Abril – 2011).

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer ao público leitor uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de CINQUENTA E UMA (51) RESENHAS e TREZENTOS E QUARENTA E UM (341) ARTIGOS, oriundos de diferentes estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Ademais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu QUATORZE (14) DOSSIÊS, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d'A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), Estudos Literários (organizado pela Editoria), História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira), História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano) Sandra Jatahy Pesavento: a Historiadora e suas Interlocuções (organizado por Nádia Maria Weber Santos, Maria Luiza Martini e Miriam de Souza Rossini) e Jogos Teatrais no Brasil: 30 Anos (organizado por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa de Camargo) O Tapete Voador – Teorias do Espetáculo e da Recepção (organizado por Marcus Mota e Robson Corrêa de Camargo).

Vale salientar que, ao longo desse período, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para a sua consolidação no meio acadêmico. Isto pode ser afirmado não somente por ter sido incluída no Portal de Periódicos de Acesso Livre da CAPES e em um importante indexador internacional, o DOAJ - Directory of Open Access Journals, ambas ocorridas em 2006, mas também pelo fato de ela ter melhorado sua avaliação no QUALIS CAPES. Tudo isso contribuiu para o aumento de seu impacto junto à comunidade acadêmica nacional e internacional das áreas de História, Letras e Artes.

Como comprovação dessa melhora merece destaque o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Outro indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas nesses últimos anos diz respeito ao número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br, isto é, até o momento, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu mais de NOVECENTAS E VINTE MIL (920.000) CONSULTAS, assim divididas: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).

Para melhorar ainda mais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, desde o início de 2010, por decisão de seus editores, passou a lançar seus números de quatro em quatro meses. Essa mudança, longe de apontar para um estreitamento do espaço utilizado para a divulgação de artigos e resenhas, tem permitido a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis para o cumprimento de todas as etapas de trabalho envolvidas na edição de uma revista científica.

Nunca é demais lembrar: tudo o que foi feito, desde o mês de dezembro de 2004, em prol da melhoria, expansão e diversificação deste período científico, deveu-se ao envolvimento da Secretaria Executiva, dos Conselhos Editorial e Consultivo, bem como de nosso Webmaster. O desprendimento e a coragem dos diretamente envolvidos nessa empreitada foram de grande importância para o bom encaminhamento dos trabalhos, mantendo a qualidade editorial e publicando artigos de excelência.

Acima de tudo, queremos expressar nossos mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que, acessando o site ou enviando seus artigos, contribuem para que a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais seja tão bem recebida. Devemos aqui registrar uma especial menção aos nossos leitores e colaboradores: sem eles, nada disso teria sido possível.

Mais um bom exemplo dessa afirmação pode ser verificado neste número, que ora vem a público. É uma honra poder publicar os excelentes artigos de André Luiz Bertoli, Aristeu Elisandro Machado Lopes, Carminda Mendes André, Fee-Alexandra Haase, Francisco Fabiano de Freitas Mendes, Isaías Pascoal, Márcia Maria de Medeiros, Marcos Silva, Maria Izabel Barboza de Morais Oliveira, Maria Ruth de Carvalho, Noé Freire Sandes, Paulo Cesar Tomaz, Suzana Guimarães, Vera Bergerot, Walter de Carvalho Braga Júnior.

Como se isso não bastasse, a Seção reservada às resenhas presenteia o leitor com três avaliações críticas que merecem ser vistas mais de perto.

A primeira, assinada por Talitta Tatiane Martins Freitas, oferece uma bem fundamentada apreciação do livro Criações artísticas, representações da história (São Paulo: Hucitec; Goiânia: Ed. da PUC Goiás, 2010). A jovem pesquisadora, revelando muita engenhosidade, elegância e estilo, inspira-se numa belíssima passagem da obra de Carl Schorske, que assim sintetiza o ofício de historiador: “a história é uma das poucas disciplinas que pode se gabar de ter uma musa, Clio, graças à intelligentsia acadêmica de Alexandria, que a designou para o nosso ofício. [...] Ela tece seu fio, em parte, com materiais que escolheu e cardou, mas não plantou, e, em parte, com conceitos que adotou, mas não criou. Sua habilidade especial é trançá-los num relato significativo no tear do tempo – um tear que é realmente seu.” O que o leitor poderá conferir é que, inspirando-se nessa síntese de rara beleza, a jovem pesquisadora, autora da resenha, consegue trançar, linha a linha, fio a fio, o fino e delicado tecido da pesquisa científica interdisciplinar, desvelando, dessa maneira, as ideias fundamentais que animaram os autores dos textos, bem como os pressupostos teóricos e metodológicos, sobre os quais apoiaram-se os organizadores da aludida coletânea.

Igualmente inspirada e competente é a segunda resenha, assinada pela historiadora Maria Abadia Cardoso. Debruçando-se sobre uma coletânea complexa e muito bem articulada [Corpo: identidades, memórias e subjetividades. Rio de Janeiro: Mauad X/ FAPERJ, 2009], a autora, já na epígrafe, provoca o leitor a pensar sobre o Corpo, sob uma perspectiva diferenciada. Ela faz isso de modo surpreendente, ao trazer para o debate um autor não muito lembrado hoje em dia: Karl Marx (Manuscritos Econômico-Filosóficos). Com efeito, o que Maria Abadia procura demonstrar, em sua resenha, é que a referida coletânea, em cada uma de suas partes, propõe uma reflexão histórica multifacetada: “Corpo e Reflexão Histórica”, “Escritas de si e do tempo”, “É com o corpo que também nos lembramos...”, “Corpo Alegórico” e “Corpos no Cinema”. De acordo com sua percepção arguta: “sob diferentes categorias, temporalidades, fontes e linguagens, o corpo se mostra”, no livro em questão, “como possibilidade de indagar a própria construção da realidade social”, o que, em última análise, remete ao diálogo da História com as outras áreas do conhecimento. Como nos mostra Maria Abadia Cardoso, é essa “multiplicidade de olhares”, lançada sobre cada caso estudado, que torna riquíssima a abordagem proposta pela coletânea Corpo: identidades, memórias e subjetividades.

A terceira resenha, assinada por Angela Nucci, à semelhança das anteriores, é instigante, competente e desafiadora. O livro resenhado intitula-se A guerra particular de Lênin (Rio de Janeiro: Record, 2008). Nessa obra, Lesley Chamberlain, narra acontecimentos, ainda pouco conhecidos, das deportações orquestradas por Lênin em 1922. A resenha nos informa que essa narrativa foi feita “com base nos diários, cartas, memórias e registros soviéticos do GPU”. Angela Nucci, ao referir-se à importância desse livro, nos adverte que “frente a uma estimativa de 20 milhões de pessoas assassinadas pelo regime stalinista, talvez seja possível entender a relativa escassez de pesquisas, análises e, por consequência, o geral desconhecimento sobre a história das deportações. No entanto, dentre as contribuições do trabalho de Chamberlain está a de evidenciar o episódio como ‘um capítulo negligenciado da biografia de Lênin’, que ajuda entender seu talento tático e calculista e, acima de tudo, colocar abaixo a idéia de que o terror e o totalitarismo stalinista tenham sido desvios da ideologia leninista.” Trata-se, pois, de leitura obrigatória para todos aqueles que desejam conhecer um pouco melhor a História do Século XX.

Mais uma vez, agradecemos pelos artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

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