DOSSIÊ “SANDRA JATAHY
PESAVENTO: A HISTORIADORA E SUAS
INTERLOCUÇÕES (TERCEIRA PARTE)”



- As Crenças da Cidade na Obra de Sandra Pesavento

Artur Cesar Isaia



-O Tempo e a Forma da Cidade
Daniela Marzola Fialho



- O poder da Representação: a Ficção Invade a Vida
Maria Luiza Martini



- Perspectivas dos Filmes de Reconstituição Histórica no Cinema Brasileiro dos Anos 70
Miriam de Souza Rossini



- Uma Mirada para o Visual
Zita Rosane Possamai





ARTIGOS



- Teatro das Memórias e das Heranças Bioculturais: Ação Cultural entre o Passado e o Futuro

Alexandre Fernandes Corrêa




- O Pensamento Educacional Conservador em Ação no Debate da Lei de Diretrizes e Bases
Alexandre Tavares do Nascimento Lira




- Circulação  de Artífices no Nordeste Colonial: Indícios da Autoria do Forro da Igreja do Convento de Santo Antônio da Paraíba
Carla Mary S. Oliveira



- O Cinema Vira Notícia nos Estados Unidos: Segundas Impressões Sobre o Cinema pela Mídia
Cid Vasconcelos




- Derrida Revoluciona a História?
Eduardo Gusmão de Quadros




- A Questão do Conhecimento no Interior das Ciências do Homem
Isaías Pascoal




- Economia Feudal No Brasil – Para Discutir Nelson Werneck Sodré
Ivan Ducatti




- Cinema: Trajetória no Subdesenvolvimento, de Paulo Emílio Salles Gomes: Profícua Interlocução Ideológica com ISEB e PCB
Julierme Sebastião Morais Souza




- Escravos e Compadres: Estratégias Cativas na Pia Batismal - Mato Grosso - 1824-1871
Maria Amélia Assis Alves Crivelente




- A Questão Regional e a Dinâmica Econômica do Espírito Santo - 1950/1990
Maria da Penha Smarzaro Siqueira



- A Música Pomerana Capixaba: A Festa e Casamento e Outras Reflexões
Michelle Fonseca Nasr



- A Guerra Sanguinolenta aos Índios no Sertão Colonial
Núbia Braga Ribeiro




- O Ensaio Sociológico de Gilberto Freyre: Dialogismo de Formas Discursivas
Tatiana Batista Alves

 


RESENHAS



- A História das Cidades: Questões Metodológicas e Debates

Diogo da Silva Roiz




- Discursos do Método: Necessidade e Eficácia Política da Etnografia do IHGB
Pedro Spinola Pereira Caldas






 

 










EDITORIAL

Com esta edição, o periódico Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 6, Ano VI, Número 4 – Outubro / Novembro / Dezembro – 2009) publica a terceira e última parte da homenagem à historiadora Sandra Jatahy Pesavento, falecida no início de 2009.

Estamos muito honrados, já que esta homenagem se tornou realidade a partir do Dossiê intitulado “SANDRA JATAHY PESAVENTO: A HISTORIADORA E SUAS INTERLOCUÇÕES”, cuja organização ficou sob a responsabilidade das Profas. Dras. Nádia Maria Weber Santos, Miriam de Souza Rossini e Maria Luiza Fillipozi Martini, que também assinam a Apresentação.

Colaboram nesta terceira parte do Dossiê: Artur Cesar Isaia, Daniela Marzola Fialho, Maria Luiza Martini, Miriam de Souza Rossini, e Zita Rosane Possamai. Como os leitores poderão conferir, estes autores lançam luz sobre diferentes e relevantes aspectos do trabalho da nossa homenageada, que foi uma professora generosa e pesquisadora muito produtiva.

Inicialmente, devemos lembrar que Sandra Pesavento dedicou-se à docência e à pesquisa durante quase quarenta anos! Trabalhou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de 1970 a 2009, contribuindo com a formação de várias gerações de historiadores.

Graças à sua notável capacidade de trabalho, foi capaz de produzir mais de cinqüenta e um (51) livros! Dentre eles, destacam-se: Visões do Cárcere (Porto Alegre: Editora Zouk, 2009), Os Sete Pecados da Capital (São Paulo: Hucitec, 2008), História e História Cultural (Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2003), Uma outra cidade: o mundo dos excluídos no final do século XIX (São Paulo: Editora Nacional, 2001), Imaginário da cidade: representações do urbano (Paris, Rio de Janeiro e Porto Alegre) (Porto Alegre: Editora da UFGRS, 1999), Exposições Universais: Espetáculos da Modernidade do Século XIX. (São Paulo: HUCITEC, 1997), A burguesia gaúcha: dominação do capital e disciplina do trabalho (RS 1889-1930) (Porto Alegre: Editora Mercado Aberto, 1988).

Estas homenagens são necessárias e justas, pois, acima de tudo, Sandra Jatahy Pesavento foi uma LIDERANÇA INTELECTUAL.

Em meio a todas essas atividades, pedimos licença aos leitores para lembrar dos projetos que desenvolvemos em conjunto com ela, o que, para nós, é motivo de muito orgulho. Quando o site www.revistafenix.pro.brentrou no ar em dezembro de 2004, de imediato, recebemos o estímulo de muitos profissionais da área de História. Dentre eles, Sandra Pesavento era a mais animada com o projeto e, de pronto, nos enviou um belo artigo intitulado A INVENÇÃO DO BRASIL - O NASCIMENTO DA PAISAGEM BRASILEIRA SOB O OLHAR DO OUTRO. Este artigo é bem representativo do universo de preocupações de Pesavento, já que analisa a pintura paisagística holandesa sobre o Brasil, de artistas como Frans Post, Gillis Peters, Zacharias Wagener, Georg Macgraf, Albert Eckhout, entre outros. A autora demonstra que, no momento da invasão, conquista e estabelecimento da dominação do nordeste brasileiro no século XVII, essas imagens foram produzidas com o intuito de apreender construções imaginárias de sentido e, por intermédio dessas, observou como, pela paisagem, se fez a “invenção do Brasil” pelo olhar do outro. Este foi o primeiro artigo que ela nos enviou. Em seguida, vieram outros.

De fato, sua colaboração manteve-se firme ao longo desses anos. Se, nesse longo período, fomos capazes de publicar QUARENTA E UMA (41) resenhas e se já chegamos a DUZENTOS E SETENTA E NOVE (279) artigos, cujos autores trabalham em diferentes regiões do país ou do exterior, devemos muito ao seu incentivo e entusiasmo. Quem a conheceu sabe que ela foi uma pesquisadora de grande capacidade de trabalho e Fênix – Revista de História e Estudos Culturais teve o privilégio de publicar outros estudos de sua autoria. Dando continuidade às suas pesquisas a respeito da sensibilidade e da alteridade, bem como em torno da relação História-Pintura, publicou UMA CIDADE SENSÍVEL SOB O OLHAR DO “OUTRO”: JEAN-BAPTISTE DEBRET E O RIO DE JANEIRO (1816-1831). Ainda explorando o binômio História-Imagem, Sandra Jatahy Pesavento publicou MEMÓRIA E HISTÓRIA: AS MARCAS DA VIOLÊNCIA, no qual, a partir de algumas representações visuais de guerra (pinturas e fotografias), analisa os processos de destruição/reconstrução da memória coletiva. Por fim, vale lembrar: sua parceria com a Fênix não ficou restrita ao envio de artigos, visto que, ao lado dos historiadores Mônica Pimenta Veloso e Antonio Herculano Lopes (pesquisadores da Fundação Casa de Rui Barbosa – Rio de Janeiro), organizou o DOSSIÊ HISTÓRIA CULTURAL & MULTIDISCIPLINARIDADE.         

Todavia, isso é apenas uma pequena parte da parceria que tivemos com Sandra Jatahy Pesavento. Na realidade, desde 1999, nossos contatos foram quase semanais, tendo em vista a criação do GT Nacional de História Cultural da Associação Nacional de História (ANPUH). Ao lado de historiadores como Maria Izilda Santos de Matos, Antonio Herculano Lopes, Mônica Pimenta Veloso, entre outros, tivemos o privilégio de participar dessa estimulante empreitada. Ao longo desses anos, Sandra Pesavento – sempre de bom humor! – exerceu uma liderança incontestável não só em virtude de sua forte personalidade, de sua incomum capacidade de trabalho, ou de seus contatos com pesquisadores estrangeiros, mas, principalmente, graças à sua inteligência e à sua vontade de manter a coesão interna do GT Nacional de História Cultural.

Além dessas merecidas homenagens, a presente edição de Fênix – Revista de História e Estudos Culturais traz para os que “navegam” pelas páginas de nosso periódico outros bons motivos para dedicar-se à leitura, já que, em sua Seção Livre, podem ser encontrados artigos de Alexandre Fernandes Corrêa, Alexandre Tavares do Nascimento Lira, Cid Vasconcelos, Eduardo Gusmão de Quadros, Isaías Pascoal, Ivan Ducatti, Julierme Sebastião Morais Souza, Maria Amélia Assis Alves Crivelente, Maria da Penha Smarzaro Siqueira, Michelle Fonseca Nasr, Núbia Braga Ribeiro e Tatiana Batista Alves.         

Esses artigos, sem dúvida, também merecem atenção especial, pois permitem que os leitores entrem em contato com propostas de trabalho frutíferas, sugestivas e estimulantes à construção do conhecimento.

Na seção dedicada às resenhas, vale à pena conferir os textos de Pedro Spinola Pereira Caldas e Diogo da Silva Roiz. Ambos analisam de maneira criteriosa publicações recentes que, sem dúvida, descortinam temas promissores e instigantes.

Na resenha intitulada A história das cidades: questões metodológicas e debates, elaborada por Diogo da Silva Roiz, temos a oportunidade de conhecer melhor as contribuições de José D’Assunção Barros, em seu novo livro Cidade e História. O principal objetivo desta obra, segundo Roiz, encontra-se no mapeamento “das diversas discussões efetuadas pela historiografia ao longo do tempo, com vistas a apontar suas proximidades e diferenças, destacando os avanços que foram alcançados por esse campo de pesquisa, como ainda o de permitir que se visualizem as principais fontes compulsadas e as dificuldades mais comuns enfrentadas neste tipo de pesquisa”. Trata-se, inegavelmente, de uma publicação útil para os que desejam ficar atualizados em relação aos caminhos percorridos pelos estudos históricos quando estes se debruçam sobre o tema das cidades.

Por outro lado, com a leitura da resenha intitulada Discursos do método: necessidade e eficácia política da Etnografia do IHGB, os leitores deste número do periódico Fênix – Revista de História e Estudos Culturais poderão conferir as densas considerações feitas por Pedro Spinola Pereira Caldas a respeito do livro Os Índios no Império do Brasil: A Etnografia do IHGB entre as décadas de 1840 e 1860. De acordo com Caldas, a autora da obra, Kaori Kodama, analisa “a relação entre o emprego da etnografia como uma ‘operação historiográfica’ (no sentido de Michel de Certeau) correlata à fundação do IHGB. [...] O investimento na etnografia, por parte dos membros do IHGB mostra ao leitor que esta construção tem a função de formar uma identidade que venha a suplantar experiências desorientadoras: a legitimação temporal do Império do Brasil e a criação de uma imagem nacional unificada, que pudesse, dentro do ideal de unidade, comportar não somente os índios em si, mas a própria diversidade existente entre os diferentes ‘povos’”. Portanto, como demonstra a aludida resenha, Os Índios no Império do Brasil é leitura obrigatória para todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais a respeito do IHGB.

Por fim, não menos importante é agradecer, in memoriam, à nossa amiga Sandra Pesavento pelas inúmeras alegrias compartilhadas, pelas instigantes parcerias profissionais e, sobretudo, pelos estímulos que recebemos em momentos difíceis, que nos ajudaram a afastar as tristezas e a enfrentar muitas adversidades. Dar continuidade ao seu trabalho não será tarefa fácil. De nossa parte, continuaremos a trabalhar, seguindo o seu exemplo. Agora, Sandra é uma estrela brilhante no firmamento. Sua luz iluminará nossos caminhos e, com certeza, nos ajudará a não esquecer os deveres de nosso ofício.

Aos leitores de mais esse número, agradecemos pela atenção e, sinceramente, esperamos que ele proporcione uma leitura agradável e proveitosa.

Alcides Freire Ramos e Rosangela Patriota
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais