Vol. 17 Ano XVII nº 1 - Janeiro - Junho de 2020

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QUINZE ANOS DE EXISTÊNCIA

É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 17, Ano XVII, Número 1 – Janeiro / Junho – 2020).

No momento em que a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais completa QUINZE (15) anos de existência, temos de, mais uma vez, reiterar nossos sinceros agradecimentos e gratidão a todos(as) que se envolveram, com desprendimento e coragem, na efetividade desta revista. 

Muito do que foi feito, desde o mês de dezembro de 2004, em prol da melhoria, expansão e diversificação deste periódico científico, deveu-se ao envolvimento da Secretaria Executiva, dos Conselhos Editorial e Consultivo, bem como de nosso Webmaster. Ao lado disso, devemos, com muita alegria, agradecer a todos(as) que enviaram seus artigos, pois, com essa escolha, contribuíram para que Fênix – Revista de História e Estudos Culturais pudesse se consolidar, no decorrer desses QUINZE (15) anos. Todavia, esses esforços seriam inócuos se não despertassem o interesse de nossos(as) leitores(as), a quem registramos os nossos mais sinceros agradecimentos. Em vista disso, agradecemos à comunidade acadêmica e ao público, em geral, a acolhida de vocês a esse projeto editorial. Muito obrigado!

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer, ao público leitor, uma publicação que se caracterizasse pela regularidade, agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas em sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de instigantes pesquisas, com o intuito de traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares no âmbito da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os anos se passaram e, nos dias de hoje, vivemos uma situação completamente modificada. Praticamente todos os periódicos acadêmicos estão disponíveis on-line, e o acesso à produção científica democratizou-se. Antes, revistas nacionais e internacionais, que só eram obtidas por assinatura, permuta e/ou em congressos de áreas específicas, passaram a ter seus conteúdos disponibilizados para leitura e para downloads.

Nesse ambiente, mesmo com essa diversidade, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais não só se manteve ativa e com regularidade como também se consolidou pela sólida parceria estabelecida entre editores, membros de conselhos editorial e consultivo, autores e leitores e, com isso, deu passos decisivos para o seu amadurecimento e aceitação no meio acadêmico. Como comprovação disso, merece destaque: o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Acrescente-se como indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas, nesses últimos anos, o número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br e de Downloads dos arquivos. Em outros termos: até o momento, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu a prestigiosa atenção de mais de SEIS MILHÕES (6.000.000) DE LEITORES, assim distribuídos: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, Japão, China, entre outros). 

Nesse processo de consolidação, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, desde o início de 2013, por decisão de seus editores, passou a lançar seus números de seis em seis meses, sem perder a regularidade. Essa mudança, longe de apontar para um estreitamento do espaço utilizado para a divulgação de artigos e resenhas, tem permitido a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis para o cumprimento de todas as etapas de trabalho envolvidas na edição de uma revista científica.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de CENTO E DOZE (112) RESENHAS e SEISCENTOS E CINQUENTA E NOVE (659) ARTIGOS, oriundos de todas as regiões do Brasil e também de outros países. Outrossim, desde o seu surgimento, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais tem obtido boa repercussão, que pode ser quantificada pelas citações em Teses, Dissertações, Artigos e outros resultados de produção científica. Com efeito, não é demais lembrar: essa quantificação pode ser fácil e rapidamente verificada por meio do GOOGLE SCHOLAR. Nesse sentido, do ponto de vista qualitativo, podemos dizer com tranquilidade: o impacto do periódico Fênix não se restringe à area de História. Pelo contrário! Nas áreas de Artes, Comunicação, Letras, Sociologia, Antropologia, Turismo, Educação, entre outras, constatamos amplo uso dos artigos aqui publicados, o que também pode ser verificado por meio do GOOGLE SCHOLAR. Com efeito, é importante salientar a verificabilidade proporcionada pelo GOOGLE SCHOLAR, porque é muito comum ler (ou ouvir) reclamações infundadas quanto à dificuldade de medir o impacto de uma publicação eletrônica. Se o impacto dos periódicos científicos brasileiros (de um modo geral) ainda é muito baixo, isso se deve ao fato de que estamos em meio a um profundo processo de mudança, que, para muitos pesquisadores, ainda é assustador. Mas, a pouco e pouco, tanto as revistas on-line, quanto os livros eletrônicos, passam a ser utilizados de maneira mais produtiva, ao lado das tradicionais publicações impressas em papel.

Ademais, ainda no que se refere ao impacto positivo obtido por este periódico, devemos lembrar: Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu VINTE E QUATRO (24) DOSSIÊS, a saber: (1) Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), (2) História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), (3) Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), (4) Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), (5) Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), (6) História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), (7) Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), (8) Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), (9) Estudos Literários (organizado pela Editoria), (10) História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira), (11) História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano), (12) Sandra Jatahy Pesavento: a Historiadora e suas Interlocuções (organizado por Nádia Maria Weber Santos, Maria Luiza Martini e Miriam de Souza Rossini), (13) Jogos Teatrais no Brasil: 30 Anos (organizado por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa de Camargo), (14) O Tapete Voador – Teorias do Espetáculo e da Recepção (organizado por Marcus Mota e Robson Corrêa de Camargo), (15) Tempo e História (organizado por André Fabiano Voigt), (16) Histórias Visuais: Experiências de Pesquisa entre História e Arte (organizado por Maria Elizia Borges e Heloisa Selma Fernandes Capel), (17) História e Saúde (organizado por Iranilson Buriti de Oliveira), (18) Encontros entre Brasil e Itália: Intercâmbios Acadêmicos [organizado por Rodrigo de Freitas Costa e Fulvia Zega (Università degli Studi di Genova)], (19) História e Literatura abordagens e diálogos (organizado por Euclides Antunes de Medeiros e Olivia Macedo Miranda Cormineiro), (20) Dossiê Cartas (Organizado por Francisco Alcides do Nascimento e Frederico Osanam Amorim Lima), (21) Escola sem Partido e formação humana (organizado por Nivaldo Alexandre de Freitas e Merilin Baldan), (22) História e Humor (organizado por João Pedro Rosa Ferreira, Leandro Antônio de Almeida e Thaís Leão Vieira), (23) História, Literatura e Religião (organizado por Artur Cesar Isaia) e (24) Práticas e Processos Socioculturais na Amazônia (Organizado por Antonio Sardinha, Marcos Vinícius de Freitas Reis e Yuji Gushiken). 

Assim, em continuidade a essa trajetória exitosa, neste número temos a enorme satisfação em publicar VINTE E TRÊS (23) ARTIGOS sendo, DEZ (10) no dossiê “Práticas e Processos Socioculturais na Amazônia e TREZE (13) na seção livre que, sem dúvida, estimularão debates e novas reflexões. No dossiê, os leitores encontrarão importantes reflexões da constituição histórica e cultural da Amazônia, em artigos de Paula Mirana de Sousa Ramos, Nathan Nguangu Kabuenge & Alda Cristina Silva da Costa, Wladimyr Sena Araújo,  Anastacia Pavão Oliveira & Andrea Hentz de Mello, Rodrigo de Souza Wanzeler, Victor André Pinheiro Cantuário, David Junior de Souza Silva, Laylson Mota Machado & Rejane Cleide Medeiros de Almeida, Antonio Cordeiro Feitosa & Larissa Menendez e Débora Aymoré. Na seção livre, os artigos são múltiplos, porém sempre em interlocução com a temática da Fênix, História e Estudos Culturais. Alexandre Fernandes Corrêa trata da troca de ativa de conhecimentos em ecomuseus. Belo Horizonte e Tiradentes, duas importantes cidades mineiras, entram no horizonte interpretativo de Marcel de Almeida Freitas e Maria Luiza Almeida Cunha de Castro & Clarissa de Oliveira Neves. Já a discussão de imagens e representações femininas, sob diferentes vieses podem ser encontradas nos artigos de Adriano Rodrigues de Oliveira, Janaina Silva Xavier, Gelka Arruda de Barros, Cristina Ennes da Silva & Tiago da Silva. Seguindo por trilhas variadas, Julio AurelioVianna Lopes trata o agon sistêmico da antiguidade, enquanto os pesquisadores Manuel Henriques Matine, Lélian Patrícia de Oliveira Silveira & Maria Manuel Baptista, Luisa Rita Cardoso discutem estudos culturais, justiça e a gênese do Estado Moderno. Por fim, Karl Schurster de Souza Leão & Oberdan da Silva Andrade e Thaís Leão Viera permitem ao leitor ter contato com discussões sobre artes, memória e identidade nos espaços escolares.

Por fim, mas não menos importante, a seção reservada às RESENHAS presenteia o leitor com TRÊS (03) sugestões bibliográficas. De fato, merecem ser vistas, mais de perto, as avaliações críticas de Grace Campos Costa & Lays da Cruz Capelozi, Carolina de Azevedo Müller e Fernando Santos da Silva.

Mais uma vez, agradecemos pelas resenhas e artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota e Rodrigo de Freitas Costa
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

RESUMO: Reflexões a partir de pesquisa sobre o Espaço Ciência do NUPEM/UFRJ Campus Macaé na qual analisamos a aplicação do termo “troca ativa de saberes” usada na criação do projeto de extensão universitária. Ao aprofundarmos o estudo percebemos o uso retórico da expressão, operada sem uma análise epistemológica condizente com sua efetiva aplicação num espaço dialógico. Através do olhar crítico da teoria da Complexidade se compreende a natureza dos obstáculos epistemológicos que entravam a efetiva operacionalização de um conceito dialógico no espaço ainda fixado no paradigma científico clássico.

PALAVRAS-CHAVE: Biocultura – Epistemologia – Complexidade – Troca de saberes

RESUMO: Nos últimos anos a especulação imobiliária em Belo Horizonte está rapidamente descaracterizando diversas regiões da área central, bem como alterando a paisagem tradicional dos bairros mais antigos. Com a verticalização da cidade, além da perda de qualidade de vida, há um empobrecimento estético e perda de referências edificadas importantes, como é o caso dos casarões construídos por mestre de obras anônimos, muitos deles imigrantes ou filhos de imigrantes italianos que vieram para esta capital no começo do século XX.

PALAVRAS-CHAVE: Imigração Italiana – História de Belo Horizonte – Arquitetura Civil.

RESUMO: As cidades históricas convivem com o conflito entre a tentativa de preservação de seu patrimônio e a necessidade de inserção nas dinâmicas contemporâneas, contrapondo o enraizamento na tradição à “liquidez” que permeia a realidade atual. Este contexto exige a criação de novas identidades, que possam se estruturar dentro da dialética entre o passado e o presente. O objetivo deste artigo é interpretar as transformações pelas quais a cidade de Tiradentes (MG) tem passado, a partir das perspectivas desveladas pelos conceitos de “tradições inventadas” proposto por Hobsbawm e de “lugares de memória”, desenvolvido por Pierre Nora. Destaca-se, neste caso, o papel dos festivais e eventos– em especial a Mostra de Cinema – na construção de uma nova identidade, que articula história e contemporaneidade.

PALAVRAS-CHAVE: Tiradentes – Identidade -Tradição Inventada – Lugar de Memória – Mostra de Cinema

RESUMO: O artigo propõe uma análise das gravuras que ilustram as amazonas no Novo Mundo, sobretudo no decorrer do século XVI e início do século XVII. Por um lado, aborda os elementos simbólicos das imagens e, por outro, aspectos do imaginário medieval/renascentista presentes na iconografia do referido período. Além disso, o presente estudo busca explorar a relação entre o texto escrito, de diversos gêneros – narrativas de viagem, crônicas, cartas, diários, e as figuras que estampam esses mesmos conteúdos, averiguando os componentes concordantes e conflitantes na confecção do conjunto texto/imagem. Pondera ainda, a transposição do mito grego para o contexto quinhentista, enfatizando os principais ingredientes do imaginário antigo e seu ressurgimento na conjuntura do Novo Mundo.

PALAVRAS-CHAVE: Amazonas – mito – iconografia– imaginário 

RESUMO: Este artigo é o resultado de uma pesquisa desenvolvida no curso de Licenciatura em História, do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP EC), que teve como tema os monumentos históricos dedicados às personalidades femininas e como objeto de estudo os bustos de mulheres colocados em espaços públicos no contexto paulista, tendo como objetivo apreender nessas obras discussões que possam ser pertinentes para entender a representação da mulher na sociedade do século XX e como esses monumentos se inserem no contexto urbano da sociedade da época em que foram criados e na atualidade. A investigação utilizou uma discussão teórica e a análise dos monumentos colocados na cidade de São Paulo no século XX. Concluiu-se que em relação aos homens, poucas foram as mulheres que receberam essa homenagem e que as figuras representadas foram pessoas ilustres que realizaram feitos de grande destaque.

PALAVRAS CHAVE: Monumentos Públicos – Mulheres – Século XX – São Paulo 

RESUMO: Este artigo analisa a estratégia discursiva presente na revista Alterosa com o intuito de compreender a representação da feminilidade por meio do star systemnorte-americano, entre 1939 e 1945. A primeira seção aborda, brevemente, algumas relações entre o rádio nacional e o cinema norte-americano apresentando a construção de imagens modelo das rainhas do rádio e das estrelas de cinema. A investigação trata dos atributos e dos comportamentos desejáveis para a conformação da feminilidade voltada para a valorização da ordem conjugal. A segunda seção apresenta o entrelaçamento das noções de beleza e saúde como elementos de mobilização feminina para a prática de exercícios físicos e para o chamamento de guerra, analisando como esses discursos dirigiam a mulher para a maternidade sadia e para o cuidado com o outro. 

PALAVRAS-CHAVE: revista Alterosa – mulher – ordem conjugal – star system – Estado Novo 

RESUMO: Este estudo analisa a representação do feminino nas obras fílmicas O Pântano e A Menina Santa, da cineasta argentina Lucrecia Martel. Busca-se, no que tange esta questão, refletir sobre os discursos acerca da mulher latina presentes nas narrativas audiovisuais supracitadas. Assim, analisa a presença da culpa católica na construção identitária das personagens femininas presentes nas obras e sua relação com a moral colonial presente no espaço latino-americano. Para tanto, buscou-se nas narrativas fílmicas, elementos na identidade das personagens que evidenciem esta relação entre o discurso moralizador e a culpa propiciada pelo desvio à conduta moral ideal. 

Palavras-chave: Cinema. Moral – Culpa Católica – Mulher – América Latina

RESUMO: O artigo aplica a teoria integracionista de Marcel Mauss (1872/1950) para compreender as civilizações antigas como configurações institucionais assumidas pela generalização da dádiva agonística – exercício competitivo da obrigação de retribuir – cujo predomínio caracteriza o respectivo período histórico.

PALAVRAS-CHAVE: Dádiva agonística – civilizações antigas – servidão

RESUMO: Ao centrar a análise nas transformações do poder político a partir do poder da Igreja exercido pela nobreza guerreira, passando pelo poder dos príncipes até a conquista do poder político por civis, o presente artigo busca analisar a dinâmica europeia na formação do Estado moderno. Para tal, parte da constatação de que no bojo do século XVIII, em algumas partes da Europa o político profissional – pode ler-se político civil – apoiado pela burguesia sufocou o poder monárquico e assentou as bases da formação dos estados modernos. Comumente, as questões como território, povo e língua transformaram-se em pauta na formação dos estados. Foi devido a complexidades dessas questões que a consolidação dos estados modernos na Europa ganhou significado apenas no dealbar do século XIX. Ou seja, a palavra “Estado” adquiriu o significado conceitual atualmente em uso a partir desse século.

PALAVRAS-CHAVE: Poder político – Expropriação de poder – Estado moderno 

RESUMO: À luz dos Estudos Culturais e da Teoria Pós-Colonial, o presente estudo propôs-se investigar como o Brasil, embora não esteja localizado no Oriente, foi sendo construído dentro de uma suposta essência orientalizante. Neste sentido, o artigo apresenta o quadro histórico-cultural do país e procede uma revisão bibliográfica pelos principais autores dos Estudos Pós-Coloniais, autores centrais e alguns seminais dos Estudos Culturais, que ousaram denunciar e desconstruir os discursos de poder presentes entre (ex) colonizadores e (ex) colonizados.

PALAVRAS-CHAVE: Estudos Culturais – Pós-Colonialismo – Orientalismo. Brasil

RESUMO: A partir de depoimentos prestados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Destinada a Investigar o Extermínio de Crianças e Adolescentes o artigo discute a figura dos justiceiros. A CPI em questão foi instalada no âmbito da Câmara dos Deputados em 1991 em resposta aos altos índices de morte violenta que atingiam crianças e adolescentes pobres no país naquele momento. O termo justiceiro era então utilizado em referência aqueles que decidiam fazer justiça com as próprias mãos, muitas vezes vitimando um segmento da população infantojuvenil que era visto a partir da lente da marginalidade. Chamados “menores”, as representações sociais acerca de tais sujeitos distanciava-os da ideia de infância e juventude que merecia ser protegida, rebaixando o valor de suas vidas. A análise usa o referencial teórico de Giorgio Agamben para pensar tais vidas e mortes a partir da ideia de homo sacer, isto é, da vida que não merece ser vivida e pode, portanto, ser morta. 

PALAVRAS-CHAVE: Infância – CPI – Extermínio – Justiceiro – Menor 

RESUMO: Este artigo faz uma análise acerca do currículo diversificado escolar buscando entender o seu sentido refletido no ensino e aprendizagem da história local nos ambientes escolares. A metodologia utilizada partiu da natureza qualitativa e tomou como base a revisitação dos instrumentos legais e a literatura existente. A coleta de dados foi viabilizada por um “Questionário” que foi aplicado e respondido por professores lotados em uma escola pública da educação básica do interior do estado de Pernambuco/Brasil, cujos resultados foram exportados para o software SPSS e discutidos à luz do referencial teórico estudado. O estudo evidenciou de que é importante e interessante desenvolver nas unidades escolares metodologias atrativas e inovadoras em que se favoreçam políticas educativas integradas à história da comunidade e articuladas às práticas pedagógicas cotidianas por meio da mensuração e/ou implementação no currículo diversificado acerca da cultura historiográfica local. 

PALAVRAS-CHAVE: História Local – Currículo Diversificado – Memória – Identidade.

DOSSIÊ "PRÁTICAS E PROCESSOS SOCIOCULTURAIS NA AMAZÔNIA"

APRESENTAÇÃO DOSSIÊ: PRÁTICAS E PROCESSOS SOCIOCULTURAIS NA AMAZÔNIA

RESUMO: Álvaro Maia destacou-se por sua atuação como político profissional ao longo de quatro décadas e revelou um projeto intelectual que além de forjar a nação, buscava compreender seu processo de modernização. A produção da obra literária de Maia não pode ser reduzida a uma mera estratégia para adquirir capital simbólico perdido no campo político. Como representante do movimento da Caboclitude, buscava através de suas obras construir uma identidade verdadeiramente cabocla. Neste trabalho apresentamos a análise das obras publicadas por Álvaro Maia após a década de 1930, onde é possível compreender de que forma seu pensamento político contribuiu para sua legitimação e permanência no campo político. Neste sentido, ao se inventariar a contribuição deste autor para o Pensamento Social da Amazônia e do Brasil, recuperamos uma interpretação histórica, social e ecológica da região, a qual revela a Amazônia em suas bases culturais, econômicas, sociais e políticas.  

PALAVRAS-CHAVES: Amazônia – cabocla – campo político

RESUMO: O artigo é uma tentativa de abordar a questão da Amazônia sob uma perspectiva que vai além dos binarismos analíticos branco/ não branco, europeu/ não europeu, desenvolvimento/sustentabilidade; cidade/campo, dominação/resistência, entre outros, construída a partir de uma crítica às reflexões da Formação Socioeconômica e Cultural da Amazônia, que coloca em segundo plano o ser na Amazônia. Opta-se pela perspectiva hermenêutica gadameriana e do ensaio “A origem da obra de Arte” de Heidegger (2012) para analisar a tela “A Conquista do Amazonas” (ACA). Parte-se da análise decolonial da tela, por meio do conceito “novo dualismo”, em que se problematiza a “raça” no intuito de transcendê-la e ontologicamente recolocar o ser no centro da análise. Conclui-se que é necessário subverter a ordem das discussões e reflexões, ou seja, não indagar por que a Amazônia e sua população são dominadas e exploradas, mas sim quem é o ser da Amazônia.

PALAVRAS-CHAVE: Amazônia – Hermenêutica – Obra de arte – Decolonialidade de poder.

RESUMO: Este artigo tem como finalidade mostrar como os Madija, povo indígena da família Arauá (habitantes do sul do Amazonas, região central do Acre e, também, do Peru), concebem os tempos através de suas histórias, articulando-as com suas visões de mundos. Para isso, toma como exemplo o sistema dsoppineje como confluência de tempos, mundos e histórias. O dsoppineje é o sistema de saúde desse povo e o motivo central de sua existência. Os Madija vivem em constante conflito com a doença e buscam, frequentemente, a saúde. Esta relação é mítica e se materializa no cotidiano das aldeias por meio de enfermidades, geralmente causada por seres a mando de terceiros. Neste contexto, o xamã (também chamado de dsoppineje) desempenha o papel de buscar o reestabelecimento daqueles que estão em desequilíbrio físico e espiritual. 

PALAVRAS-CHAVE: Cosmologia – História – Madija

RESUMO: A mesorregião sudeste do Pará foi marcada por uma dinâmica de desenvolvimento pautada no uso da natureza como fonte de recurso, baseando-se nos sistemas produtivos principalmente na implantação da pecuária extensiva. Nesse contexto o PDS Porto Seguro se insere no território com adoção de dinâmicas produtivas que se afirmam em atividades de baixo impacto ambiental, por necessidade de marco legal. Os sistemas agroflorestais ajustam-se a essa proposta por compor em seu arranjo o cultivo de espécies frutíferas e essências florestais como alternativa tecnológica de produção na paisagem local.

PALAVRAS-CHAVE: Sistemas Agroflorestais – Complexidade – Indizível

RESUMO: Tomando Belém como cenário principal para o contexto deste trabalho, tem-se, com o apogeu da comercialização da borracha e a criação do Museu Paraense, um incremento científico na região, que almejava ser a Paris na Amazônia. Neste período, Belém vai do ápice à crise da comercialização da goma elástica, turbulências sociais tornam-se mais frequentes e as desigualdades latentes. Este contexto não passa impune ao olhar de Bruno de Menezes. O intelectual se vale da sua escrita, artística e politicamente engajada, para desvelar e se opor ante as diferenças sociais. Uma escrita de rexistência que, assim como a ciência antropológica no mesmo período, busca dirimir as discrepâncias existentes no cotidiano das sociedades amazônicas. Desta maneira, a presente pesquisa intenta relacionar os caminhos da ciência antropológica com os de Bruno de Menezes para incluir o nome do intelectual belenense enquanto figura importante para a consolidação de um fazer antropológico na/da Amazônia.

PALAVRAS-CHAVE: História da Antropologia – Literatura – Amazônia – Bruno de Menezes

RESUMO: O objetivo deste artigo é o de expor os aspectos característicos da cultura marabaixeira afro-amapaense, destacando sua designação como Patrimônio Cultural Imaterial (PCI) inscrito na ordem das discussões culturais que se iniciaram na década de 1970 e se estenderam até o ano de 2006, quando ocorre a efetivação dos objetivos traçados na Convenção da UNESCO, que aconteceu em outubro de 2003, em Paris. Para isso, procedeu-se à consulta a textos impressos e outros provenientes de periódicos on-line os quais utilizam como categorias de análise termos que transitam pela formação de um recente campo de estudos, aquele da produção imaterial de cultura, portanto, fortemente popular e marcado por traços de oralidade. Os resultados obtidos com a escrita deste artigo demonstram que apesar de anúncio do Ministério da Cultura, em novembro de 2018, de ter sido tombado como PCI da região norte entre as Formas de Expressão, o Marabaixo ainda está por alcançar o reconhecimento social que lhe é devido.

PALAVRAS-CHAVE: Patrimônio cultural imaterial – Cultura afrodescendente – Marabaixo – História do Amapá – Política cultural

RESUMO: As comunidades quilombolas do Amapá iniciaram seus processos de etnogênese no início do século XXI. Este artigo objetiva refletir sobre o processo de etnogênese do Quilombo do Rosa. A metodologia de pesquisa baseia-se em etnografia realizada junto à comunidade. Para a produção da etnogênese em si, dois processos fundantes foram identificados: o primeiro, a mobilização, em 2002, contra uma mineradora, quando esta planejava depositar rejeito tóxico de mineração, nas terras da comunidade; o segundo, a implementação do Programa Brasil Quilombola. O universo simbólico e a autorrepresentação da comunidade são muito maiores do que a identidade que esta assume no contexto multiétnico de contato. Esta dimensão de sua identidade, a de remanescente quilombola, é levada a primeiro plano para viabilizar a comunicação com o Estado. A etnogênese, assim, tem o sentido de uma estratégia territorial, porém não resume todo o universo de significados da ancestralidade, memória e tradição da comunidade. 

PALAVRAS CHAVE: Reconhecimento – Movimento quilombola – Direitos étnicos – Interculturalidade.

RESUMO: Este artigo analisa a percepção dos moradores do Acampamento Coragem, em relação aos impactos sofridos com a instalação da Usina Hidrelétrica de Estreito (MA). Busca evidenciar a visão dos ribeirinhos em relação aos impactos socioespaciais dos empreendimentos, considerando os conflitos ocasionados com a instalação da barragem na comunidade. Explora a compreensão das formas de organização social e política dentro de um acampamento, assim como identifica os problemas enfrentados pelas famílias atingidas durante a implantação da usina e após sua construção. A pesquisa é de natureza qualitativa, com observação participante e aplicação de entrevistas semiestruturadas. Os resultados apontaram que o sistema capitalista tem reproduzido as desigualdades sociais em nossa sociedade. Este trabalho contribui para a reflexão acerca das diferentes análises sobre as formas de desenvolvimento reproduzidas pelo Estado, como a ressignificação sobre territórios e seus processos de migração.

PALAVRAS-CHAVES: Desterritorialização – Acampamento Coragem – Usina Hidrelétrica de Estreito

RESUMO: O presente artigo tem como objetivo analisar os processos de elaboração da cestaria do povo indígena Canela Ramkokamekrá da aldeia Escalvado, município de Fernando Falcão, no estado do Maranhão, situado na Amazônia Legal brasileira. Apresentamos, em uma abordagem interdisciplinar entre Geografia e Antropologia, a relação entre o território ocupado pelo povo e sua produção cultural a partir do conceito de lugar e de modelos classificatórios de trançados. A metodologia usada foi pesquisa de campo para coleta de dados, o registro fotográfico das etapas de confecção de um tipo de cestaria de buriti e sua classificação e análise segundo os tipos de trançado e seu significado cultural. Percebe-se, a partir dos dados apresentados, que o processo de elaboração da cestaria relaciona-se com a memória e com o espaço geográfico em que habita esta população.

PALAVRAS-CHAVE: Canela Ramkokamekrá – lugar – cestaria

RESUMO: A abordagem histórica e filosófica de constituição da modernidade demonstra, primeiramente, um saber-fazer que se realiza a partir de sua base na natureza e, posteriormente, como desenvolvimento de estratégias produtivas. Deste modo, é possível reconstituir alguns elementos da proposta ecofeminista, em especial aqueles que se dirigem à produção sem limites e à acentuada industrialização. Embora em consonância com outras abordagens feministas, já que o ecofeminismo se constitui como postura de resistência ao patriarcado e às relações de dominação, ressalta-se especialmente a relação entre natureza e mulher, que é mantida por suas repercussões positivas, tal como no reconhecimento da experiência das mulheres e na recuperação da consideração da biosfera como ativa e necessária à sobrevivência dos seres humanos.

PALAVRAS-CHAVE: Natureza – Mulher – Ecofeminismo