O fisiculturismo de mulheres no Brasil na perspectiva jornalística (1978 - 1999)

Autores

  • Angela Caroline Giacomitti Cardoso Miola Universidade Federal do Paraná - UFPR
  • André Capraro Universidade Federal do Paraná https://orcid.org/0000-0003-3496-3131

DOI:

https://doi.org/10.35355/revistafenix.v22i2.1524

Palavras-chave:

História do fisiculturismo, Fontes jornalísticas, Mulheres no esporte

Resumo

O presente artigo teve por objetivo descrever, por meio de jornais brasileiros, a sociogênese do fisiculturismo de mulheres entre os anos de 1978 e 1999. A pesquisa utilizou metodologia documental baseada no acervo da Hemeroteca Nacional Digital, que permitiu o levantamento e a análise de 68 periódicos brasileiros. As fontes foram selecionadas pelo termo “fisiculturismo” e examinadas em sua integralidade, identificando as dinâmicas iniciais da inserção feminina no esporte. Os resultados apontaram que a presença de mulheres nos campeonatos ocorreu já na década de 1970, anterior ao que indicava a literatura, e que o período estudado foi marcado pela consolidação da identidade da modalidade, pela desvinculação do halterofilismo e pelas controvérsias em torno do uso de anabolizantes e da feminilidade das competidoras. Observou-se também o papel central da mídia na construção de representações sociais sobre o corpo feminino e na promoção do fisiculturismo como espetáculo. Conclui-se que entre 1978 e 1999 o fisiculturismo de mulheres no Brasil passou por um processo de estruturação esportiva, simbólica e midiática, que definiu as bases para o desenvolvimento posterior da modalidade no país. 

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Biografia do Autor

Angela Caroline Giacomitti Cardoso Miola, Universidade Federal do Paraná - UFPR

Doutoranda em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

André Capraro, Universidade Federal do Paraná

Possui graduação em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná (1997), graduação em Psicologia pela Universidade Tuiuti do Paraná (1999), graduação em História pelo Uninter (2021), mestrado em História pela Universidade Federal do Paraná (2002) e doutorado em História pela Universidade Federal do Paraná (2007). Cursou o estágio pós-doutoral na Università Ca' Foscari di Venezia (2012-2013). Atualmente é professor Associado da Universidade Federal do Paraná. Também é professor permanente do programa de Pós Graduação (mestrado/doutorado) em Educação Física; parecerista de revistas científicas nas áreas de Educação Física, História e Ciências Humanas; integrante do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (parceria entre Ministério da Cidadania e UFPR); avaliador institucional e de cursos de graduação (INEP); e membro da International Sociology of Sport Association (ISSA) e da Società Italiana di Storia dello Sport (SISS). Tem experiência na área de Educação Física e História, com ênfase na confluência entre Humanidades e esporte. Pesquisa atualmente os seguintes temas: literatura esportiva, história das lutas, artes marciais e esportes de combate (com ênfase no Mixed Martial Arts - MMA), história do futebol, o conceito de esporte, memória esportiva (História Oral) e a turismo esportivo.

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Publicado

2026-02-08

Como Citar

MIOLA, A. C. G. C., & CAPRARO, A. M. (2026). O fisiculturismo de mulheres no Brasil na perspectiva jornalística (1978 - 1999). Fênix - Revista De História E Estudos Culturais, 22(2), 394–415. https://doi.org/10.35355/revistafenix.v22i2.1524